Calibragem, antes e depois!
Finalmente, vou fazer o post que prometi ainda em junho, contando como foi a experiência da Dani com a calibragem. Para quem não lembra, ela foi vencedora do sorteio do colorímetro que fiz aqui no blog. Por motivos alheios à nossa vontade, nós duas estouramos todos os prazos que pretendíamos cumprir. Primeiro foi a Dani, que estava sem tempo por questões pessoais e de trabalho pra fazer o registro de cada passo do processo. Depois, quando ela conseguiu finalizar a calibragem e o registro, eu é que comecei uma pequena reforma aqui em casa, e todo mundo sabe como é: o que começa pequeno sempre acaba ficando maior do que pretendíamos e o que era pra levar dois dias levou dez! Além disso, eu e a Luísa viajamos e o trabalho tb me ocupou bastante. Mas esta semana pretendo colocar em dia o blog!
Antes de falar de calibragem, preciso falar sobre a escolha do monitor. Nem vou falar do que seria um equipamento ideal, um LaCie ou um Eizo, já que o custo de R$7000,00 inviabiliza a compra para a maior parte dos fotógrafos iniciantes, a quem se destina este post. O fator mais importante na escolha do monitor é saber o tipo de painel. Se for TN ou VA, não é a melhor opção para trabalhar com fotografia. Os monitores caros a que me referi têm painel IPS, que é o ideal em termos de qualidade, mas como já disse o custo é alto. Recentemente surgiu o painel E-IPS, que tem qualidade e valor acessível. Uma sugestão é o modelo 2209WA, da Dell, que custa em torno de R$900,00. Quem quiser ler uma ótima avaliação sobre esse monitor, compre a revista “Fotografe Melhor” número 162, que traz um excelente artigo do fotógrafo Marcos Kim. Aliás, ele escreveu também um livro muito bom que fala bastante sobre calibragem, “Imagemaker – Fotografia Digital Sem Segredos”. Infelizmente, o livro parece estar esgostado, mas vale tentar achar.
Voltando à escolha do monitor, no caso da Dani, assim que ela me passou as especificações do que ela tinha comprado pouco antes do concurso, eu soube que, infelizmente, a escolha não era a ideal, já que o painel era TN. Fiquei até meio sem jeito de falar pra ela, não quis fazer papel de chata e jogar um balde de água fria na compra tão recente. Mas depois, conversando melhor, soube que ela já estava informada desta questão, mas fez a compra que era possível naquele momento, conhecendo as limitações do equipamento. Então tudo bem, expliquei pra ela que ainda assim se beneficiaria da calibragem.
Antes de mostrar as fotos do processo, quero deixar claro que quem não tem o computador calibrado pode perceber tudo ao contrário do que eu vou dizer. Na verdade, é um bom teste para saber como o seu monitor está exibindo as imagens.
Mesmo que o seu monitor prejudique um pouco a percepção das fotos do registro, tenho certeza que ainda assim vai ser possível perceber as diferenças e concluir que a calibragem é o caminho certo.
Pra começar, pedi que a Dani fizesse algumas fotos que mostrassem como estava o monitor dela antes da calibragem. Pedi que ela fotografasse em um só quadro alguns objetos: uma folha de papel para impressora, uma caixa de lápis de cor e algumas embalagens de produtos comuns, desses que todo mundo tem em casa, para que ficasse mais fácil avaliar o resultado. Dei como exemplo a caixa de maizena, cuja cor é bem conhecida. Ela me mandou a foto, que aliás rendeu muitas risadas pela seleção de produtos que ela fez: eu disse pra ela que se o “produto comum que todo mundo tem em casa” era o tênis pé Baruel, quem lesse o blog pensaria que ela tem chulé! ![]()
Foto original:

Foto do monitor da Dani com esta mesma foto aberta no photoshop:

Olhando estas duas fotos dá pra perceber claramente que o monitor estava claro demais, sem contraste, uma aparência “lavada” que deixava tudo meio sem graça e apagado.
Ela comentara comigo uns dias antes que tinha feito uma impressão de uma foto cujo resultado não correspondia ao que ela via em seu monitor. Pedi que me mandasse o arquivo original da foto, para que eu avalisse em meu equipamento calibrado, e a foto impressa.

Estas fotos mostraram que era exatamente o que eu pensava: a Dani abria a foto, que na realidade estava escura e subexposta, em seu computador, e o monitor, que tinha excesso de brilho, clareava tanto a foto que ela não percebia o problema, que só descobriu ao ver a foto impressa. Além disso, dá pra perceber também alteração nas cores, que não estão fieis ao original.
Para ilustrar essa alteração, vejam detalhes das fotos “dos produtos que todo mundo tem em casa”


Depois que constatamos o problema, partimos para a calibragem propriamente dita. Para quem não sabe, o processo é feito através de um programa e um equipamento que é conectado a uma porta usb do computador e colocado sobre o monitor. Como alguém comentou aqui no blog, parece um mouse metido à besta. O programa exibe quadradinhos de diversas cores e faz a leitura de como o monitor mostra essas cores. Não vou explicar detalhadamente ou em termos técnicos como é feita a calibragem, já que não é essa a intenção deste post, mas quem se interessar em se aprofundar sobre esse assunto tem à disposição bastante material na rede, é só pesquisar.
Depois de feita a calibragem, pedi à Dani que fizesse uma nova foto do monitor exibindo a mesma foto dos produtos usada antes da calibragem. O resultado foi este:
Tinha pedido também que ela fizesse uma foto do seu monitor antes da calibragem exibindo uma foto do meu blog e pedi pra que ela fizesse essa foto novamente, pós-calibragem:
Arquivo original:

Foto exibida no monitor da Dani, antes de calibrar:

Foto exibida no monitor da Dani, depois de calibrar:

Dá para perceber claramente nestas fotos o resultado do processo. Claro, mesmo depois da calibragem é possível notar que a imagem do monitor não está idêntica ao original, mas é importante lembrar que estamos avaliando uma foto do monitor, que é sempre um pouco diferente da imagem propriamente dita. Tomamos todo o cuidado para fazer as fotos em condições parecidas, sendo consistentes em relação à exposição e ao balanço de branco, mas ainda assim existem fatores impossíveis de controlar nas condições que fizemos o registro.
Mais do que buscar uma perfeição técnica de registro que inviabilizaria este post, quis fazer uma ilustração de um processo que mostrasse o que é a calibragem para quem não tem idéia deste assunto e, principalmente, mostrar que ela é essencial para quem trabalha com fotografia.
Para encerrar com chave de ouro, um exemplo da diferença que a calibragem fez no trabalho da Dani.
Foto original, como saiu da câmera, sem tratamento. Observem que a foto está subexposta.

Foto tratada pela Dani antes da calibragem. Observem que ela escureceu ainda mais a foto e carregou no contraste.

Foto tratada pela Dani depois da calibragem. Vejam a diferença: observem os olhos, a pele, a exposição correta e as cores naturais. A Dani sabe bem o que está fazendo, ela simplesmente não visualizava corretamente a imagem antes, e compensava no tratamento os desvios na exibição de seu monitor.

Conclusão final da Dani, nas palavras dela:
A calibragem é fundamental. Meu monitor estava mostrando tudo meio lavado, sem contraste, bem mais claro do que era de verdade. Isso fazia com que eu escurecesse a foto, saturasse mais e jogasse contraste em tudo. Quando a foto estava subexposta, eu nem percebia, porque o monitor clareava tudo.
Para finalizar, minha recomendação para a compra do colorímetro. A opção mais acessível é o Spyder, que é o que a Dani ganhou, embora já exista uma versão mais nova. O que eu recomendo é o Eye One Display 2, um pouco mais caro (em torno de U$200,00 nos EUA e R$900,00 no Brasil), mas que vale cada centavo. Estou extremamente satisfeita com o meu, que é simples de usar, completo e consistente. Recomendo!
Recado aqui do blog: A d300 foi vendida na semana passada, junto com as lentes. Fiquei super feliz porque ela está em ótimas mãos agora, foi comprada por uma cliente que adora fotografia – e tem uma linda modelo em casa para fotografar!



