Sep
30
2008
É normal, no momento da sessão, que os pais fiquem ansiosos se os pequenos não sorriem o tempo todo para as fotos. “Mas ele é tão sorridente em casa”, dizem eles, enquanto fazem macaquices atrás das câmeras para arrancar um sorriso das crianças. Eu sempre peço: relaxem e deixem a criança à vontade. É importante registrar todas as expressões. Invariavelmente, quando vêem pela primeira vez as provas, sempre se surpreendem com a beleza das fotos em que a criança está séria ou introspectiva e acabam gostando tanto dessas quando daquelas que têm o tão valorizado sorriso! Quando a criança não sorri, são os olhos que falam, brilham e resplandecem, dominando as atenções. E a emoção toma conta…




Apr
17
2008
Outra dúvida comum é a respeito da escolha do local para a sessão de fotos. Como não trabalho em estúdio, decido junto com o cliente a locação das fotos.
Quando o cliente quer fazer a sessão em casa, sempre converso um pouco para saber se as condições são adequadas. Como trabalho utilizando apenas a luz natural, preciso de espaço e claridade. Janelas amplas, espaços onde seja possível afastar e rearranjar os móveis, se for necessário, cantinhos interessantes, talvez um quintal ou jardim… Se for um prédio, também pode funcionar se houver uma área de lazer relativamente espaçosa, com cantinhos interessantes.
Quando a intenção é fotografar um bebê, se a casa tiver as condições descritas acima, é sem dúvida a melhor opção. O mundo de um bebê pequenino é mesmo sua casa, seu quarto, seu berço, e é possível fazer fotos maravilhosas utilizando esse espaço.
Crianças maiores, por outro lado, eu recomendo fotografar em parques ou praças. Quando a criança tem espaço para explorar, a sessão corre tranquila e as fotos ficam variadas e interessantes. Posso captar suas reações ao ambiente, sua curiosade, seu jeito. Tudo isso emoldurado pela natureza, que sempre combina com o mundo encantado da infância.
No caso de jovens e adultos, também gosto dos parques e praças, mas recomendo ainda uma infinidade de cenários urbanos. Pode ser uma rua movimentada, um horizonte de prédios, uma fachada com uma pintura interessante, um museu, um muro grafitado… Qualquer uma dessas locações pode dar um toque interessante e moderno às fotos.
A seguir, um exemplo de locação urbana.






Apr
08
2008
Não costumo fotografar crianças fantasiadas. Sei que muitos fotografam crianças vestidas de bichinhos ou personagens, mas esse não é meu estilo. O resultado até pode ser engraçadinho, mas foge à minha intenção que é fotografar a criança como ela é. Claro que se a criança adora determinada fantasia, usa direto em casa e os pais querem um registro dessa fase de sua vida, eu vou recomendar que tragam a fantasia e fazer algumas fotos com ela, mas de um jeito natural, inserido no cotidiando da criança. Nada de colocar um bebê descontente apertado numa fantasia de ursinho Pooh ao lado do irmão vestido de Tigrão num fundo que imita uma floresta…
Mas existe uma peça que eu sempre tenho à disposição das meninas pequenas: o saiote de bailarina. É incrível o fascínio que essa pequena peça de tule exerce sobre as garotas, basta vestirem que é como se um encanto acontecesse! Elas dançam, assumem uma postura elegante e graciosa, flutuam numa núvem de sonhos e delicadeza. Cada uma do seu jeito.

Apr
05
2008
Muita gente me pergunta como acontece a sessão infantil, por isso, decidi contar a história de uma sessão recente que fiz no Parque Ibirapuera e mostrar as fotos que resultaram dela.
No início, como sempre faço, eu observei a locação, fiz medições de luz e escolhi espaços interessantes. Depois, deixei a pequena livre para explorar o ambiente, com a mãe ainda por perto. A medida que a criança fica à vontade, peço que quem a acompanha observe a sessão um pouco mais afastado, assim a relação da criança comigo e com a câmera fica mais forte e as fotos mais expressivas. Posso passar um tempo só conversando com a criança, acompanhando suas brincadeiras, sem sequer pegar a câmera. Algumas precisam de mais tempo, outras se soltam logo de cara. Eu não tenho pressa e entro no ritmo delas. A idéia é que a sessão seja uma grande brincadeira.
No caso desta pequena, ela estava muito à vontade, comecei a conversar com ela e chamei sua atenção para alguns passarinhos que estavam perto de um canteiro florido. Ela naturalmente foi explorar e aproveitei para fotografar. Depois, conversamos sobre desenhos animados que ela gostava (como mãe que também sou, estou por dentro do repertório infantil) e falante como ela é, logo já estava me contando dos colegas da escola, cheia de expressões interessantes que eu aproveitei para registrar. Depois, perguntei se ela queria vestir um saiote de bailarina que tinha levado, ela adorou a idéia e durante alguns minutos dançou pelo parque, resultando em fotos maravilhosas. Passeamos um pouco e ela queria saber o nome de todos os cachorros que encontrávamos no caminho. Depois, ela disse que queria brincar no parquinho, e lá fomos nós para o balanço, onde outras lindas fotos aconteceram naturalmente. Quando cansou de brincar, ela se encantou com um cachorro que corria no gramado. Perguntou seu nome para a dona e se podia brincar com ele: em poucos minutos, brincavam como dois velhos amigos. Uma hora depois de ter começado, eu já tinha todas as fotos de que precisava e muitas mais. A pequena estava feliz, não se cansou nem deu trabalho como poderia acontecer num estúdio, onde o ambiente desconhecido deixa as crianças assustadas.
A seguir, postarei algumas fotos desta sessão, que revelam exatamente quem ela é: sua expressividade, seu encanto de bailarina, seu amor pelos cachorros e sua alegria contagiante!














Apr
01
2008
Adoro fotografar bebês e fico feliz com o aumento da procura para esse tipo de foto. Nos Estados Unidos é uma tradição contratar fotógrafos profissionais quando o bebê tem em torno de uma semana de vida. Embora pareça cedo para nós brasileiros, as fotos tiradas nesta fase revelam um momento fugaz na vida de um bebê, com as particularidades que só os recém-nascidos têm. Novinhos assim, eles tem uma flexibilidade impressionante e vê-los enroscadinhos como gostam de ficar remete ao tempo em que estavam ainda na barriga da mãe.
Aqui no Brasil, a procura maior costuma ocorrer entre os quatro e seis meses de vida, fase cheia do encanto dos primeiros sorrisos e da carinha bochechuda. São os famosos bebês “Johnson’s”, aqueles com cara de propaganda!
Também adoro fotografar nesta fase a relação do bebê com a mãe. O resultado é sempre cheio de emoção e ternura, uma lembrança que fica para a vida inteira de um momento especial e que passa tão rápido.


Mar
31
2008
Antes de mais nada, o principal: quem vai ser fotografado deve vestir roupas que o deixem à vontade. No caso das crianças, nada de roupa apertada, arrumadinha demais ou que precisa ser ajeitada a toda hora.
Tecidos com texturas marcantes (tricôs e crochês, por exemplo) fotografam muito bem. Meninas ficam lindas de vestidos, desde que sejam simples e confortáveis, sempre de acordo com o ambiente escolhido para as fotos e com o gosto dela. Se a garota é do tipo que detesta um vestido, fazê-la vestir um para as fotos vai deixá-la desconfortável e as fotos não terão a cara dela. Nesse caso, uma jardineira jeans pode ficar uma graça. Jeans, aliás, é muito fotogênico, seja em fotos coloridas ou em preto e branco. Sempre recomendo! Fica ótimo para os meninos também!
É bom providenciar duas ou três trocas de roupa, além de acessórios que tragam variedade às fotos, como um boné, um gorro, um cachecol. É interessante também separar mais roupas do que o necessário, assim podemos escolher juntos as opções mais adequadas. Se não for possível trocar de roupa na locação escolhida, peças sobrepostas que possam ser tiradas a medida que a sessão avança são recomendadas.
Pés descalços ficam lindos nas fotos, assim como sandálias de couro ou sapatinhos do tipo “boneca”. Tênis não são fotogênicos.
É importante adequar a roupa ao local das fotos, mas isso não significa que moletom e tênis são bem-vindos se a sessão for num parque, por exemplo. Basta pensar nos ensaios de moda nas revistas: vários estilos de roupa podem ficar interessantes ao ar livre. É preciso saber ousar, sempre dentro do estilo de quem é fotografado!
Em tempo: nada de maquiagem em criança, nem mesmo batom, que eu sei que muitas meninas adoram, mas não favorece a criança na foto. Já para mulheres, recomendo batom em tons de boca e rímel, que ajuda a destacar os olhos. Se quiser usar mais coisa, tudo bem, desde que o efeito seja natural. Brilhos não ficam bem à luz do dia.




Mar
29
2008
Uma pergunta que os clientes invariavelmente me fazem é o que vestir para a sessão de fotos. E eu acho ótimo que façam, porque a roupa pode ajudar ou atrapalhar muito o retrato. Vestir-se com a intenção de posar para uma foto traz à tona questões que não são importantes no dia-a-dia e que se forem levadas em conta pelo modelo farão com que o retrato tenha um resultado final muito mais bonito. Certas roupas são lindas quando vistas “ao vivo e a cores”, mas não funcionam bem na fotografia.
Um bom exemplo dessa questão são as estampas e logotipos. Quando vemos uma foto de alguém com uma camiseta estampada com um personagem ou uma frase escrita, por exemplo, a primeira coisa que fazemos é ler a mensagem ou observar o desenho. E o rosto do modelo se perde em meio a tantas interferências. E o que era pra ser um retrato atemporal de uma criança fica com cara de propaganda de loja.
À procura de exemplos, entrei na Home Page da C&A, loja de departamentos com preços acessíveis e que todo mundo conhece. Numa rápida olhada no catálogo, pude encontrar bons e maus exemplos que copio aqui.

Reparem nesta foto. A primeira coisa que percebemos são as palavras estampadas na camiseta, que tentamos ler antes mesmo de fixar os olhos nos rostos das lindas meninas.

Percabam a diferença quando a roupa não tem estampas: não há nada competindo com o rosto das crianças, e é nelas que focamos nossa atenção.

Olhem estes bebês. Fofíssimos, claro, mas os macacões que estão usando, cheio de escritos, fazem com que toda essa fofura fique escondida, colocada para escanteio pelas palavras enormes e chamativas. O que poderia ser um lindo retrato ampliado e montado num quadro, perde o impacto artístico por conta da roupa mal escolhida.

Roupas com personagens estampados costumam ser adoradas pelas crianças, que gostam de exibir seus gostos e preferências nas roupas que vestem. São opções divertivas para o dia-a-dia, mas não são boas escolhas para uma sessão de fotos. Os personagens aparecem mais do que a criança e as fotos rapidamente ficam datadas.
Este post é apenas o primeiro de uma série que pretendo fazer sobre o que vestir. Fique de olho nos próximos! Comecei falando sobre as roupas que não fotografam bem. No próximo post, vou dar sugestões de roupas fotogênicas para vestir quando for fazer sua sessão de fotos! E já estou preparando um sobre como escolher e combinar as roupas quando for fotografar duas ou três pessoas juntas.
Termino com um lindo exemplo de roupa bem escolhida, que revelou a graça e a beleza da minha pequena cliente.

Mar
24
2008
No começo eram as crianças e os bebês. Agora vêm as mães, as tias, as amigas. As mulheres têm se interessado cada vez mais pelos serviços de fotógrafos profissionais. Num mundo cada dia mais virtual, onde muitas vezes é através da foto que se estabelece o primeiro contato, são elas que mais valorizam o poder dessa primeira impressão.
Algumas vêm timidas, dizendo que não gostam de posar ou que não costumam sair bem em fotos. Depois de cinco minutos, todas adoram a experiência e quando recebem as fotos, ficam felizes e impressionadas com o resultado. Costumo dizer que todas as pessoas são fotogênicas, basta o olhar experiente para descobrir o ângulo certo e revelar a beleza que sempre existe!








Mar
21
2008
Tem uma coisa que eu sempre peço para quem acompanha a criança na sessão:
nunca peça para ela sorrir! O sorriso da criança tem que ser espontâneo,
natural. Ela tem que rir porque está achando graça em alguma coisa, feliz
com alguma descoberta, curtindo o momento. Não para atender um pedido. E
mesmo que os sorrisos sejam lindos, eu gosto de capturar todas as expressões
que as crianças têm, a cara de espanto, o semblante pensativo, o olhar
perdido e até a cara de brava. Essas carinhas que os pais vêem todo dia e
que fazem esses pequenos únicos e encantadores! E como a sessão de fotos é uma experiência divertida, o sorriso sempre aparece.
As crianças têm que ser fotografadas como elas são e estão, não tem essa de
fazer pose! Criança bonita é criança de verdade, é por isso que eu não gosto
de fotografia de estúdio, com caras e bocas num ambiente que não tem nada a
ver com elas. Eu gosto de fotografar os pequenos quando estão à vontade,
assim as fotos serão genuínas lembranças.

Mar
19
2008
As mães sempre me perguntam qual a melhor idade para fazer as fotos dos filhos. Sempre respondo que a idade ideal não existe: fotografo desde recém-nascidos até adolescentes, isso sem contar os jovens, adultos, grávidas e famílias!
Algumas mães me dizem: “Não vejo a hora de marcar uma sessão com você, só estou esperando…” E aí segue uma infinidade de motivos. Algumas querem que o filho cresça mais um pouquinho, outras querem adiar porque o
pequeno acabou de ficar banguela, uma me conta que o filho quebrou o braço e
vai ficar um mês engessado, outra me diz que a filha está naquela fase
esquisita de crescimento. Esqueçam tudo isso! Eu sempre digo: o melhor
momento é agora! Sim, agora, exatamente como eles estão, como a vida é de
verdade. Porque daqui a dez, quinze anos, quando estiverem crescidos, você
vai pegar as fotos antigas e olhar para o sorriso faltando um dente, a
franja que cortaram torta, o braço engessado, a cara suja, o bebê babão e
dizer: “era exatamente isso que eu queria lembrar!”
